O politicamente correto no banco dos réus

Vídeo: O politicamente correto no banco dos réus

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Sumário

O pr. Elienai B. Batista procura definir o significado do termo “politicamente correto”, apresenta suas implicações para a masculinidade, e oferece umaa resposta bíblica para esse espírito de nossa época.

Preletor

O pastor Elienai B. Batista serve como ministro da Palavra e dos Sacramentos na Igreja Reformada em Imbiribeira (Recife – PE). Atualmente ele está trabalhando em um projeto missionário ligado ao Centro de Literatura Reformada (CLIRE), onde ministra palestras e cursos, e também na plantação de uma Igreja Reformada em Paulista – PE. O pastor Elienai B. Batista subscreve as Três Formas de Unidade.

Ocasião

Palestra proferida no Acampamento Homens do Futuro – Aracaju 2017.

Transcrição da palestra

O Politicamente Correto no Banco de Réus

Introdução

Como vocês sabem o tema do acampamento este ano é: Masculinidade em um mundo “politicamente correto”. Por isso, se faz necessário nesta primeira palestra termos uma introdução ao tema do “politicamente correto”, ao mesmo tempo em que olhamos para sua relação com a masculinidade. Portanto, essa primeira palestra que desejo apresentar tem como tema: O “politicamento correto” no banco dos réus. Nessa palestra vamos caminhar na seguinte direção:

  1. Veremos a origem e o significado do termo “politicamente correto”;
  2. Veremos quais as implicações do “politicamente correto” para a masculinidade bíblica;
  3. Veremos a resposta bíblica ao “politicamente correto”.

Em primeiro lugar, veremos a origem e o significado do termo “politicamente correto”.

Provavelmente todos vocês já ouviram esse termo. Mas o que se quer dizer por “politicamente correto”?
Para tentar entender o que é o “politicamente correto” podemos começar com uma noção de sua origem. Uma boa ferramenta para nos dar essa noção, é o livro “Guia politicamente incorreto da filosofia”, de Luiz Filipe Pondé.

Qual a origem do “politicamente correto”? Pondé nos diz o “politicamente correto” é um ramo do pensamento da esquerda americana que surgiu a partir da ascensão social dos negros americanos, no final dos anos 60, e da ascensão dos gays a partir dos anos 80.

A ascensão desses grupos na sociedade americana, trouxe um mal estar em relação à forma como eles deveriam ser tratados. Por exemplo: piadas sobre estes grupos, antes eram contadas em restaurantes, mas agora esses grupos, estavam presentes nos restaurantes. Como tratá-los?

Portanto era no final das contas um problema de educação doméstica. Essas regras de convivência, e de respeito ao próximo, se aprendem em casa. Mas isso se transformou num programa político, para a criação de uma nova “consciência social”.

Quanto a isso, duas coisas devem ser observadas:

1) Houve uma mudança considerável em relação ao pensamento da esquerda, que voltou-se da ideia de que a classe que salvaria o mundo seria o proletariado (os pobres), para a ideia de que esta salvação está nas mãos dos excluídos: mulheres, negros, gays, índios, estrangeiros, etc.

2) O marxismo investiu em uma revolução cultural, com o objetivo de derrubar os pilares do mundo Ocidental, entre eles o da moral judaico-cristã. Para isso, o marxismo cultural apropriou-se especialmente das universidades e meios de comunicação, que se tornaram instrumentos para a promoção dessa revolução cultural.

É nesse contexto da revolução cultural, que devemos entender o “politicamente correto”. O “politicamente correto” é justamente um movimento que busca moldar comportamentos, hábitos, gestos e linguagem, para supostamente gerar a inclusão social desses grupos que mencionei a pouco, mas que na verdade tem como objetivo nos levar a uma revolução cultural na qual a moral judaico-cristã, seja substituída por uma “nova moralidade”.

Essa substituição, é desenvolvida a partir da ideia de que a moral judaico-cristã é a ideologia dos homens, ricos, brancos, heterossexuais e cristãos, e que esses criaram mentiras para colocar as vítimas (os grupos de excluídos) como sendo menos inteligentes, capazes, honestos etc.

Trata-se portanto, da tentativa de reformar o pensamento, tornando certos comportamentos rejeitáveis, e certas coisas indizíveis. É a imposição de uma censura baseada em uma suposta nova moralidade.

Essa nova moralidade que desejam implantar, é concebida como a adoção pública de visões “corretas”. Ela é apresentada como uma virtude intimidadora.

Isso ocorre mediante um vocabulário purificado e um sentimento humano abstrato. De forma, que se alguém não usar este vocabulário, ou contradizer este sentimento, tal pessoa é vista como alguém fora do grupo das pessoas civilizadas.

Há a imposição dessa nova moralidade, de tal forma que as pessoas ficam intimidadas, com medo de falar ou escrever algo, e serem acusadas de que suas palavras foram ofensivas ou insensíveis. Diga, escreva ou faça algo, que não está de acordo com o politicamente correto, e logo você será rotulado de fascista, racista, machista, misógino, sexista, xenofóbico ou homofóbico.

Portanto, o “politicamente correto” é uma tentativa de reformular a nossa maneira de pensar, através do controle do comportamento, e daquilo que falamos e escrevemos. É um instrumento intimidador para nos tornar subservientes ao que eles chamam de “consciência social”, que nada mais que essa suposta nova moralidade

Dessa forma, as pessoas são forçadas a aceitar e afirmar, coisas em que não acreditam, mas que não podem questionar. Assim, a pessoa é treinada na arte de permanecer calada mesmo quando lhe é dita a mais óbvia das mentiras. E mais, as pessoas são induzidas a repetir elas mesmas essas mentiras, contribuindo para a sujeição de outras almas.

Agora que já temos uma ideia da origem e do significado do “politicamente correto”, vamos observar alguns exemplos que ilustram o que acabei de falar:

Primeiro exemplo: o cuidado com o vocabulário. Em 19 de dezembro de 2016, um terrorista do Estado Islâmico matou em Berlim 12 pessoas fazendo uso de um caminhão para atropelá-las. Qual a manchete no Jornal A Folha de São Paulo? “Caminhão atinge mercado de Natal em Berlim e mata pelo menos 12 pessoas”. Na reportagem você encontra coisas como: “O caminhão entrou na feira no que seria um dos horários de maior movimento, quando crianças e adultos se juntam nos tradicionais estandes de madeira que vendem comida e produtos de Natal…”

O título da reportagem e a forma de apresentar a notícia, dão a impressão de que o culpado é o caminhão. Isso ocorre, porque o politicamente correto impede que se dê destaque ao fato de que foi um ataque terrorista levado a cabo por um seguidor do islã. Se alguém disser isso, será acusado de islamofóbico.

Segundo exemplo: Um cartaz do filme X-men: Apocalipse, divulgou o filme através de uma cena na qual o vilão (Apocalipse) está agredindo a personagem mística. Logo começaram ataques a isso, e uma atriz americana, formadora de opinião, bradou: “Há um imenso problema quando as pessoas da Century Fox acham que violência contra mulher é a melhor forma de divulgar um filme.”

Ao que a Century Fox respondeu: “Em nosso entusiasmo para mostrar a maldade do personagem Apocalipse, não percebemos de imediato a conotação perturbadora desta imagem. Assim que percebemos o quão indelicada ela era, rapidamente tomamos medidas para remover todo o material. Pedimos desculpas pelas nossas ações e nunca apoiaríamos a violência contra as mulheres.”

Terceiro exemplo: Uma jovem brasileira de 22 anos, estavam estacionando o carro da família em Porto Alegre, quando foi surpreendida por um assalto. A esse respeito ela disse em uma entrevista: “Eles pediram pela chave do carro e eu entrei em pânico. Não sabia o que fazer, congelei. Comecei a procurar pela chave nos bolsos, mas não a encontrava. Eles estavam armados e me ameaçavam, diziam para eu não gritar. Eu não achava a chave para entregar e comecei a gritar. Nesse momento, eles procuraram a chave, não a acharam, levaram meu celular e foram embora. Na fuga, um dos caras atirou. O tiro atravessou o meu braço e passou de raspão na minha barriga. Gritei por socorro, algumas pessoas vieram me socorrer e encontraram a chave. Estava no porta-malas mesmo.”

Na entrevista temos o seguinte diálogo:
– Você diria alguma coisa aos rapazes que lhe assaltaram?
– Só consigo pensar em desculpas. Eu sinto muito, porque, infelizmente, o que aconteceu comigo é reflexo da sociedade em que vivemos.
– Você gostaria de pedir desculpas a eles? Sim.
– Por quê?
– Porque assim como fui vítima, eles são vítimas de tudo que vivemos hoje. É muito frustrante passar por uma situação como essa e ver que as pessoas se colocam nessas posições para sobreviver.

Eu poderia passar o dia aqui, oferecendo exemplos absurdos do “politicamente correto”, como o da modelo plus-size que emagreceu 108 quilos e agora recebe ameaças de morte de “ativistas da gordura”. Porque seu comportamento, de emagrecer, ofende mulheres gordas. Ou o exemplo do professor universitário que está sendo perseguido por seus alunos por não usar pronomes de gênero neutro. Ou do norueguês que se sentiu culpado pelo fato do seu estuprador (um refugiado somali) ter sido deportado. Ou da editora que proibiu o uso da palavra “porco” em seus livros, para não ofender judeus e muçulmanos.

Mas esses exemplos são suficientes para nos dar uma ideia de como funciona o “politicamente correto”.

Em segundo lugar, veremos quais as implicações do “politicamente correto” para a masculinidade bíblica.

Como já temos uma ideia do que é o “politicamente correto”, precisamos agora pensar sobre o que queremos dizer por masculinidade bíblica.
Nós poderíamos aprender sobre isso com base em muitos textos das Escrituras. Poderíamos olhar para Salmos como o 112, 127, 128, para textos como 1 Pe 3.7; ou para 1 Tm 3 e Tt 1, onde encontramos aquilo que denomino de masculinidade qualificada. Poderíamos olhar para esses textos e ver a relação do que é ensinado neles, com os ataques promovidos pelo “politicamente correto”.

Mas como isso requer muito tempo, e os demais palestrantes, possivelmente ocuparão esse espaço, vamos apenas a Efésios 5.22-33, e observar o que esse texto ensina sobre a masculinidade bíblica, e como o “politicamente correto” ataca este ensino.

Em Efésios 5.22-33, aprendemos que existe uma relação entre a masculinidade e o papel que Deus deu ao homem, como líder de sua família.

Portanto, conforme o ensino bíblico, o homem é chamado a liderar. Esse é um dos aspectos da masculinidade bíblica. No entanto, como bem observa Douglas Wilson em seu livro Reformando o Casamento, a Escritura trata a liderança do homem no lar como um indicativo. Ou seja, a Escritura não fala da liderança do homem no lar, em termos do que ele deve ser ou fazer, mas em termos do que o homem é por determinação de Deus. Vejam Ef 4.23: “… porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo.”

O que o marido é? O cabeça da mulher. É sua responsabilidade a liderança do lar.

Um homem pode ser um líder fraco, deficiente, tolo e covarde, mas não há como escapar dessa responsabilidade diante de Deus. Um dia ele haverá de prestar contas dessa liderança. Então esse é o indicativo: o homem é o líder de sua família.

Mas há também um imperativo para o homem. O imperativo refere-se ao que o marido deve fazer. Responde à pergunta: como ele deve liderar? Efésios 5.25, fala sobre este imperativo: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.”

Notem que o modelo, tanto para o indicativo, quanto para o imperativo, é o Senhor Jesus Cristo. Lemos nos vv.23 e 25: “… como também Cristo”.

Então como homens cristãos, nossa masculinidade deve ser definida em termos do que Cristo é e daquilo que Ele faz. De maneira, que até os meninos aqui podem responder: Ser um homem bíblico é ser igual a quem? Igual a Jesus.

Aqui podemos lembrar de Ef 4.13, onde se lê que um dos objetivos da edificação da igreja é que todos cheguemos “… à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo”. Cristo é o homem perfeito, com o qual todos nós devemos nos parecer.

Portanto, se você é um homem casado, quer queira quer não, você é o líder de sua família. É isso, o que vocês jovens e meninos provavelmente se tornarão um dia, a menos que a vocação de Cristo para vossa vida, envolve permanecerem solteiros.

Se você é casado, precisa reconhecer que Deus lhe confiou a liderança de sua família, e que você é chamado a exercer essa liderança, imitando o Senhor Jesus Cristo, seu cabeça. A liderança de Cristo pode ser resumida com uma palavra: amor. Em Efésios 5.22-33, o Espírito Santo nos apresenta pelo menos quatro aspectos do amor de Cristo, os quais cada marido deve imitar. Assim sendo:

  1. O amor do marido por sua esposa não deve ser dominador, mas sacrificial;
  2. O amor do marido por sua esposa deve ser um amor que busca e protege a pureza de sua esposa;
  3. O amor do marido por sua esposa deve ser um amor que cuida, que procura atender às reais necessidades dela (alimenta e cuida);
  4. O amor do marido por sua esposa deve ser um amor que perdura (deixar, unir-se).

No entanto, todos nós sabemos que imitar o amor-perfeito de Cristo por sua igreja não nos é natural. Na verdade temos inclinações para duas direções contrárias a este modelo.

A primeira inclinação nos leva a querer exercer uma liderança sem humildade, sem amor e sem sacrifício. Uma liderança que constrange, que oprime, que fere. Uma liderança dominadora.

A segunda inclinação nos leva a uma negligência no que diz respeito à responsabilidade que Deus nos confiou como homens. Nos leva a uma passividade que muitas vezes, tenta se vestir de humildade, mas que na verdade, é melhor descrita como sendo covardia. Trata-se de uma liderança que não protege, e não cuida.

Em ambos os casos, o que temos é um afastamento do modelo bíblico para a masculinidade. Uma vez que Cristo é o homem perfeito, o modelo para a nossa masculinidade, quando nos inclinamos para um lado, ou outro, nós nos afastamos de Cristo. Esse afastamento implica em uma corrupção, uma degeneração de nossa masculinidade, pois a menos que sejamos como Cristo, não somos homens conforme o que diz a Escritura.

E como já vimos, aquilo que se costuma chamar de “politicamente correto”, empreende constantes ataques à masculinidade bíblica, tratando-a como se fosse aquela corrupção da masculinidade, a masculinidade dominadora. Assim sendo, o “politicamente correto”, nos empurra em direção ao outro extremo, para que adotemos uma postura que confunde os papéis de homem e mulher, e que nega a liderança que Deus nos confiou como homens.

A pressão para que sigamos nesta direção é grande. E muitos homens cristãos não a percebem.

Vamos pensar um pouco sobre os ataques que vocês jovens sofrem. Os filmes e seriados que vocês assistem estão cheios do politicamente correto. Provavelmente a escola ou faculdade onde estudam, é também um veículo promotor desse espírito de nossa época. Nas redes sociais vocês também são policiados. É como se tudo ao redor dissesse: vocês não podem ser homens conforme o que a Bíblia diz.

Alguns exemplos: Se você disser que deseja se casar e espera que sua esposa tenha muitos filhos e que ela se dedique ao lar, você será acusado de misógino.

Você está em um debate na faculdade, que prega a tolerância, a diversidade de ideias etc. Então você apresenta sua posição a partir de uma cosmovisão cristã, logo você será atacado, isso não é tolerado. É luta assimétrica: os adeptos do politicamente correto lhe pedem tolerância, mas tudo que lhe oferecem é intolerância. Como homem você não tem direito de expressar posições bíblicas sobre masculinidade, feminilidade, homossexualidade, criação de filhos, educação, etc.

Diante desta pressão imposta pelo “politicamente correto” sobre a nossa masculinidade, sofremos o risco de cairmos em uma de duas armadilhas.

Primeira armadilha – podemos covardemente, com temor dos homens, abrir mão do ensino bíblico sobre a masculinidade, e deixar que o politicamente correto defina nossa masculinidade. Nos dizendo como devemos falar, escrever, nos comportar, nos vestir, cortar o cabelo, etc.

Isso tende a nos fazer homens fracos, frágeis, omissos, negligentes e covardes. E certamente afastados de Cristo o perfeito modelo do que significa ser homem.

Normalmente essa covardia se verga ao “politicamente correto” é desenvolvida aos poucos. E vocês são os mais sujeitos a ela.

Segunda armadilha – podemos reagir a essa imposição do politicamente correto, com relação a masculinidade, indo exatamente para o outro extremo. Deixando que uma outra ideia mundana, defina nossa masculinidade.

Isso tende a nos fazer homens, brutos e orgulhosos que lideram por imposição, abuso, e dominação. Homens que lideram sem amor. E que portanto também estão afastados do modelo de masculinidade que temos em Cristo.

Então essas reações às imposições do “politicamente correto”, no que diz respeito à masculinidade, seja a aceitação dessas imposições, ou seja, a tentativa de responder com liderança dominadora, alcançam o mesmo objetivo: nos tornar homens que não se parecem com Cristo. É portanto, contra Cristo.

Por isso, uma pergunta muito justa nesse momento é a seguinte: qual é a resposta bíblica aos ataques do politicamente correto contra a masculinidade bíblica?

Isso nos leva ao nosso último ponto.

Em terceiro lugar, veremos a resposta bíblica ao “politicamente correto”.

O primeiro passo para lidar biblicamente com a praga do “politicamente correto” consiste em tomar consciência de que ele existe e que circula sobretudo através de nosso vocabulário.

O segundo passo, consiste em identificar o que o “politicamente correto” é à luz da Bíblia.
Como temos observado, o “politicamente correto” procura se impor por meio da intimidação, ele trabalha com um tipo de temor, o temor dos homens. Podemos entender isso mais profundamente, se entendemos o que é o temor do Senhor.

Muitas vezes encontramos essa expressão nas Escrituras: “o temor do SENHOR”, é digno de nota, que muitas vezes ela está vinculada a questão da masculinidade: Veja por exemplo o Salmo 112.1: “Bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR e se compraz nos seus mandamentos.” Ou o Salmo 128.4: “Eis como será abençoado o homem que teme ao SENHOR!

Ainda podemos lembrar de Eclesiastes 12.13, que nos diz que o temor do SENHOR é o dever de todo homem: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem.”

Temer ao SENHOR, é basicamente: reverenciar, amar, confiar e viver para Deus somente. É um reflexo da nossa consciência da majestade transcendente de Deus e de Sua Santidade. Envolve respeito, obediência, adoração e amor completo, que não temos por mais ninguém. John Brown colocou da seguinte maneira: “O temor a Deus significa que os sorrisos e desaprovações de Deus são mais importantes que os sorrisos e desaprovações dos homens.

Portanto, existe um contraste importante entre o temor do Senhor e o temor dos homens. Jesus falou sobre isso em Mt 10.28: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.

Depois da queda, o temor dos homens é a configuração padrão da alma humana. Romanos 3.18, ao tratar da depravação dos homens, diz o seguinte: “Não há temor de Deus diante de seus olhos.” Onde não há temor de Deus, há o temor aos homens.

Temer aos homens significa colocar os homens no lugar de Deus, amando-os e obedecendo-os, de uma forma que só deveríamos amar e obedecer a Deus. O temor dos homens, é um tipo de adoração aos homens, e como tal é idolatria.

Ele pode se manifestar de muitas formas, como por exemplo a aceitação do grupo (escola, trabalho), a preocupação com o que os outros dirão ou pensarão a nosso respeito, o medo de perder seguidores nas redes sociais. É o medo, como disse John Bunyan, de perder o favor, o amor, a boa vontade, a ajuda e a amizade dos homens. Em outras palavras, é “um ídolo da aprovação”, através do qual se busca evitar perseguição.

O “politicamente correto” visa substituir o temor do SENHOR pelo temor dos homens. Então um remédio para lidar com o politicamente correto consiste no ensino sobre o temor do SENHOR. O que é? Como pode ser adquirido? Como pode ser aplicado? Isso deve ser ensinado no púlpito, nas visitas pastorais, e pelos homens aos seus filhos.

Homens que temem a Deus, não se prostrarão diante das ameaças do politicamente correto. Não sentirão medo de falar e expressar a masculinidade bíblica. Não sentirão medo e vergonha de buscar se parecerem com Cristo.

Isso nos leva ao terceiro passo. Eu o descrevo como viver e falar corajosamente como um homem que imita a Cristo. Amados irmãos, vocês temem a Deus? Então lancem fora o temor dos homens?

Não temam a perseguição, se ela vier, regozijai-vos no SENHOR (Mt 5.11-12). Em muitos casos o preço que deve ser pago pela fidelidade ao Evangelho já não é ser enforcado, afogado e ou queimado, mas ser indicado como irrelevante, ridicularizado ou ser acusado pelos defensores do politicamente correto.

Mas não se recolham com medo de desagradar os outros, como se tivessem de esconder sua fé. Não deixem que o temor dos homens silencie o vosso testemunho a respeito de Cristo e que os impeça de viver para a Sua glória. Não permitam que o temor dos homens os impeça de dizer e fazer o que agrada a Cristo.

Coragem! Não sejam frouxos. Mas antes, como nos diz o Espírito Santo em Ef 6.10: “Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.” Confiando em Cristo, nosso Senhor e Salvador, busquem que a Palavra de Deus molde suas vidas, que o mundo saiba o que significa ser um homem de verdade, por meio da proclamação do evangelho e de vossa imitação de Cristo.

Que o Senhor em Sua graça nos conceda que Sua Palavra e os frutos dela em nossa vida, sejam como uma luz a reprovar as obras infrutíferas das trevas, manifestando o que realmente são, e que nosso viver na luz, seja um chamado aos que vivem ao nosso redor: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará.

 

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